Nota do Director Artístico

João FerreiraO Teatro e a sua gente nunca estiveram de bem com o Tempo, com o Espaço. Nunca souberam estar nem ser humanos completamente. O Teatro aprende, ensina, partilha e grita sempre mais alto, mesmo que as ruas estejam vazias, mesmo que as salas estejam serenas. Hoje vivemos dias difíceis, dias que alimentam a sede dos poetas e dos escritores, daqueles que pretendem contar os nossos dias aos de amanhã. Não é por isso muito o vosso aplauso ao trabalho destes miúdos, comos os gostamos de chamar, porque eles não baixam os braços, porque eles não se resignam a caminhar em filas de gente de cabeça caída. Esta é a gente do Teatro que estuda, que se forma, que vos recebe e vos espera. São dos tais que não se calam, que não se resignam e que vivem conscientemente a sua utopia, ainda que doloroso seja sabe-la inalcançável, mas outros virão… Sempre foi assim…

Espectáculos

  • Onde vamos morar?, de José Maria Vieira Mendes

Passaram-se 20 anos e Gustavo voltou à sua cidade. Perdido, está à procura de um mapa, mas primeiro encontrará Patrícia. Américo, sentado no degrau da sua porta, vê partir Vítor e Gabriela. Para onde? Vânia, que está só no principio, aguarda numa sala de espera, pelo seu pai. Mário, o eterno sonhador, só quer encontrar a morada correcta para entregar um ramo de flores.
Uma história sobre chegadas e partidas.
Uma cidade onde as paredes parecem falar.
Onde vamos morar?

aD hOMINEm, a partir de El Bálsamo de Diós, de Carlos Boves

Tradução, adaptação e encenação Sofia Araújo

aD hOMINEm, tradução e adaptação por Sofia Araújo de El Bálsamo de Dios, de Carlos Boves, traz a palco uma leitura inédita de um texto nunca levado a palco, no qual Homem e Poder se enfrentam numa luta de/sem Tempo, com base na história real de Cayetano Ripoll, o último executado da inquisição espanhola.

Em tempos de fanatismo e destruição, medo e agressão, tempos em que o Tempo parece cada vez mais uma mera construção do optimismo humano, sonhador de setas de progresso, embalado por futuros sonhados e acreditados, o Passado, ou o tido por passado, derruba-nos as portas do refúgio e lembra-nos a cada vida extinta que não há dor de época, nem medo de época.

  • Cantigas de uma Noite de Verão, de David Greig

A primeira encenação da Joana Sousa chega à cena em Maio de 2015, dando-nos a conhecer o Bob e a Helena. Duas pessoas normais. Dizem que há noites em que um “que dizes?” muda tudo. Dizem que há noites em que alguém fica “tão feliz” que é capaz de nos lembrar da nossa própria felicidade. Dizem, mas falta saber também o que fica por dizer. O que é dito sem palavras. O que não é dito de todo, e que nunca o será, e que nem faz falta que o seja.

Esta peça marca uma nova abordagem à cena, introduzindo a música como parte integrante do espectáculo e deixando aos actores (e ao público) a difícil tarefa de saber contar uma história…

  • Azul Longe Nas Colinas, de Dennis Potter

A encenação de João Ferreira chega à cena em Fevereiro de 2014, num espectáculo que oferece ao publico um espaço de reflexão sobre os desígnios da existência humana, partido da acção de uma história muito simples, onde sete crianças brincam, durante uma tarde, num bosque. Dirigida ao público em geral, esta peça integra a nova temporada da in skené, que visa oferecer, em Gondomar, um conjunto de espectáculos, que suscitem a necessidade de uma reflexão e que se prolongue para além da representação.

  • felizmente há luar!, de Luís de Sttau Monteiro

Em cena desde 2010, felizmente há luar! é já uma referência do nosso grupo, com leituras muito conscientes do simbolismo que este texto tem nos nossos dias. Contou com encenações de João Ferreira em 2010 e 2011, tendo sido partilhada em 2012 com Sofia Araújo, que aceitou o desafio de desenhar em cena a sua visão muito pessoal em 2013. Essencialmente dirigida ao público escolar, esta peça contou até hoje com a assistência de mais de 4000 espectadores, vindos de dezenas de escolas da região norte do país.

  • Sui Caedere – Uma Vida, Um Erro, de Beatriz Soares e João Ferreira

Sui Caedere é uma peça original, escrita por dois dos fundadores da companhia, que retrata a dura realidade dos conflitos interiores na adolescência e que durante três anos (2009, 2010 e 2011) tocou os mais de 2000 espectadores. Com a encenação de um dos seus autores, João Ferreira, os actores foram convidados a participar num desafiante processo de entrega e auto conhecimento, que se traduziu em momentos de pura verdade em cena.

  • in camera, de Jean-Paul Sartre

in camera foi a primeira aposta consciente com uma abordagem à cena mais experimental, baseada nas palavras existencialistas de Jean-Paul Sartre, que motivaram o encenador João Ferreira a criar uma experiência muito intimista, onde o público confunde os limites do palco com os limites da sua própria consciência. Em cena numa sala estúdio, a peça recebeu centenas de espectadores ao longo de dezenas de sessões, marcando um estilo muito próprio do encenador.

Para mais informações contacte: inskene@gmail.com

Outras Participações

  • Insídia, de Rui Basto

Encenação de João Ferreira, a partir do texto de Rui Basto.
Sessão integrada na iniciativa Ideias à Volta do Espaço, da Reitoria da Universidade do Porto e da Casa-Museu Abel Salazar, a convite do Comissário Arquitecto António Teixeira Lopes.

casa museu

  • Há vidas nesta cidade!, criado por João Ferreira

Integrada na Exposição Arquitectura e Património, a in skené apresentou “Há vidas nesta cidade!”, criação de João Ferreira a partir de poemas de Sophia de Mello Breyner e Mário Cesariny, a convite do Comissário Arquitecto António Teixeira Lopes, da Reitoria da Universidade do Porto e da Casa-Museu Abel Salazar.

Há vidas nesta cidade!

Equipa Residente

  • Director Artístico: João Ferreira
  • Direcção de Actores: Sofia Araújo
  • Imagem e Comunicação: Tiago Moreira e Ricardo Pita
  • Encenação: João Ferreira, Sofia Araújo e Joana Sousa
  • Figurinos: Alzira Ferreira

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